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sexta-feira, 29 de junho de 2012
E NO ENTANTO ELA MOVE-SE
Grande, grande escritora. Descobri-a tarde e fiquei mais rico. Em literatura. Em emoção.
McCullers é uma mestre das sombras que sugere mais do que mostra.
Manipuladora de pequenos acontecimentos inquietantes, espalha na sua escrita a armadilha de pequenos desvios em relação ao foco da máquina de filmar através da palavra com que olha um universo humano encerrado em si próprio como, aliás, já acontecia na “Balada do Café Triste”.
Aqui, tudo se passa num quartel onde não se passa nada como é normal nos quartéis quando não guerra.
No entanto, as rotinas diárias escondem pequenos-grandes desvios, estranhos comportamentos entrevistos, mal revelados no início e que se vão tornando mais significativos em profundidade até se tornarem obcecantes.
McCullers semeia bombas de profundidade nos pequenos reparos com que constrói uma ópera baça mas estranha e sufocante.
É o caso do pequeno e breve à parte acerca do capitão de quem diz, como quem não quer a coisa, que se apaixonava sempre pelos amantes da mulher.
E os acontecimentos que em si não têm nada de extraordinário, são promessas vagas disfarçadas de grandes tempestades. Como é o caso do soldado que vai passear nu para a floresta e fica horas a espreitar a mulher do capitão pela janela. E que, depois, entrando na casa e ficando a observá-la em silêncio pela noite fora enquanto ela dorme meio despida.
Mais estranho ainda será o criado filipino da mulher do major, a sua paixão por música erudita e os seus sonhos de fuga com a patroa.
E é difícil resumir uma história que, sendo aparentemente parada, dela poderíamos dizer que, no entanto, ela move-se. Move-se e de que maneira!
sábado, 14 de janeiro de 2012
A ARTE DA SEDUÇÃO

Há muito que tinha esta autora como obrigatória na prateleira de leituras das urgências mais urgentes. E só posso lamentar que me tenha demorado tanto.
Nascida no Sul, sob influência de William Faulkner, a autora é, junto com Flannery O'Connors uma das vozes femininas mais poderosas da literatura americana.
A sua escrita é arrasadora, atravessada por uma espécie de bruma poética que nos envolve e nos faz cada mergulhar mais fundo na leitura. Em meia penada desenha um ambiente, cria personagens fantásticas, dá caminho a uma história tão inquietante quanto aparentemente vulgar.
A acção desta curta novela situa-se numa aldeia pobre do Sul dos EUA. Uma mulher forte que foi casada por uns dias e agora,solitária, independente, rude e sozinha, trata da sua vida,fabrica um whiskey muito especial, gere um armazém de produtos agrícolas.
Aparece um anão que diz ser seu familiar. pelo qual começa nutrir uma atracção e um afecto especial e que fica a viver no andar por cima do armazém, num quarto junto do quarto dela.
O anão exerce numa estranha arte da sedução, encanta toda a gente com a sua bonomia, a sua conversa envolvente e divertida, e o seu encanto.
Convence-a a transformar o armazém num café e a vida da aldeia passa a rodar em torno do café.
Um belo dia reaparece o marido saído da prisão e é em torno deste estranho triângulo talvez amoroso que se vai gerar o drama que nos agarra pelos cabelos de nos faz mergulhar cada vez mais fundo na leitura.
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