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terça-feira, 14 de outubro de 2008

O ESCRITOR QUE VIU DEUS




O Escritor que viu Deus


De Dino Buzzati, o autor de “O Deserto dos Tártaros”, foi publicada mais uma colectânea de contos, “A Derrocada da Baliverna” (Cavalo de Ferro). Esta, como as anteriores, é constituída por um conjunto notável de histórias, algumas a situarem-se no que de melhor tem sido produzido na literatura europeia contemporânea. Entres elas, “O cão que viu Deus”. Parábola que coloca, de modo magistral, a problemática da consciência face ao pecado e ao sentimento de culpa decorrente do não cumprimento da lei moral.
Mas… se prevaricarmos, quem o poderá saber? Deus? Mas se Deus está tão distante dos homens, tão oculto... Cumprirmos os seus mandamentos não será expormo-nos ao ridículo dos nossos concidadãos, tão absorvidos pelas realidades do seu dia-a-dia?
Mas Deus não se servirá de outras formas para nos vigiar? Porque não o olhar de um cão, um cão que foi do eremita que viveu e morreu na montanha, a quem Deus teria aparecido? E se apareceu ao eremita não teria também aparecido ao seu cão? O seu olhar atento e bondoso não seria a forma de que Deus se serviu para vigiar aquela comunidade e, assim, acordar a sua consciência adormecida?
Se admitirmos que alguém viu Deus e dele tenha recebido uma missão, esse alguém foi, sem dúvida, Buzzati, a quem Deus teria confiado o poder de nos fazer amar a literatura e, através dela, o bem e o mal que vive no coração do homem.

domingo, 27 de julho de 2008

A derrocada da Baliverna

Entre as editoras que surgiram no nosso país há uma que aprecio particularmente pela sua citeriosa selecção de escritores, A Cavalo de Ferro. Foi através dela que me iniciei no mundo do Dino Buzzati e me apaixonei. Surgiu recentemente uma nova traqdução, A Derrocada da Baliverna. Trata-se de uma colectânea de contos que ilustra bem o universo de Buzzati. Um visão fantástica do mundo, cruzada com uma visão absurda kafkiana. Perpassa também em muitos contos uma angústia muito grande à flor da pele.
Apesar de extenso, lê-se de um fôlego e aconselho vivamente.
Abraços,
Paulo
PS: Curisosamente, descobri que Buzzati também escreveu para crianças e encomendei o livro pela Amazon.