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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Terra de Ninguém

Tenho vindo a descobrir, tardiamente mas com crescente entusiasmo, a colecção “Ovelha Negra” da Editora Oficina do Livro. Trata-se de uma colecção com muito bons livros latino-americanos. Acabei agora de ler um livro de contos dessa colecção que me deixou fascinadíssimo: Terra de Ninguém do mexicano Eduardo António Parra. Os contos situam-se na paisagem rural mexicana, na maior parte dos casos aldeias áridas e inclementes, mas também em paisagens urbanas do Norte do México e no El Dorado americano apenas sonhado, relatado ou entrevisto. Os personagens desses contos, os últimos entre os últimos da sociedade, estão entre os dois lados de uma linha/fronteira que dá o mote a cada conto: a linha entre o real e o fantástico/mágico; a normalidade aborrecida e a vida nas margens da sociedade feliz e trágica ao mesmo tempo; a marginalidade com moral e a corrupção; a ponte entre o México e os Estados Unidos que funciona como montra para contemplar de perto os sonhos; a modorra de uma aldeia isolada versus a turba pagã incendiada por temores ancestrais, etc.. Perpassa por estes contos a crueldade, a violência, a tragédia, mas também as contradições do ser humano. Aconselho a leitura ao som da banda americana Calexico, uma banda também ela da fronteira entre dois mundos e com a qual sentimos a aridez do México.