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sexta-feira, 3 de outubro de 2008


"Sou um poeta e me inclino a pensar por meio de imagens, de fábulas, de metáforas e não por meio de raciocínios" Jorge Luís Borges

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A Biblioteca de Babel

Quando o editor Franco Maria Ricci passou alguns dias em Buenos Aires, na companhia de Jorge Luis Borges, sentiu-se motivado a propor-lhe a aventura de dirigir uma colecção de obras fantásticas que veio a denominar-se “A Biblioteca de Babel”. Jorge Luis Borges foi o responsável pela selecção dos contos e abre cada volume com uma introdução à obra e vida do autor seleccionado, bem como com uma apresentação dos contos. A Editorial Presença tem vindo a publicar os volumes desta colecção para meu (e de muitos) deleite. Uma palavra de apreço também para as capas de origem lindíssimas. Já foram publicados 9 volumes dos trinta originais que contemplam autores desconhecidos, esquecidos ou célebres. Para mim, até agora o melhor volume é a recolha de contos de Giovanni Papini, “O Espelho que Foge”. O último volume saído é de Kipling, denominando-se “A Casa dos Desejos”. De entre os contos seleccionados destaco “O Jardineiro”a história do percurso de um jovem órfão criado por uma tia até à sua morte nas trincheiras. A tia vai finalmente visitar a campa num cemitério com 20000 valas. Uma das peculiaridades deste conto é o facto de aí ocorrer um milagre. A tia ignora-o, mas o leitor sabe-o. O segundo conto que destaco é ”A Casa dos Desejos” em que uma senhora narra a outra uma história mágica e dolorosa em que existe uma misteriosa casa dos desejos em que se pode pedir que a casa leve embora uma coisa que atormenta outra pessoa. Os restantes contos, ancorados em batalhas e guerras, não me encantaram tanto.
Apesar de a selecção nem sempre ser homogénea em termos de qualidade (mas quem sou eu para pôr em causa o Borges), esta é sem dúvida uma colecção preciosa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A Invenção literária

Ainda a propósito da criação literária repesco este exerceto, "desviado" do blogue "O Bibilotecário de Babel" sobre o processo de escrita de Jorge Luis Borges.

Excerto do livro de entrevistas a Jorge Luis Borges, Em Diálogo, de Osvaldo Ferrari (volume 1, Círculo de Leitores, 2001):
«Hoje gostaria que falássemos de algo que muitos querem saber. Isto é, de como se produz em si o processo da escrita, ou seja, como começa no seu interior um poema, um conto. E a partir do momento em que se inicia, como continua o processo, a confecção, digamos, desse poema ou desse conto.Começa por uma espécie de revelação. Mas uso essa palavra de um modo modesto, não ambicioso. Isto é, de repente sei que vai acontecer algo e isso que vai acontecer pode ser, no caso de um conto, o princípio e o fim. No caso de um poema, não: é uma ideia mais geral e às vezes foi a primeira linha. Isto é, algo me é dado e depois intervenho eu, e talvez tudo se deite a perder (ri-se). No caso de um conto, por exemplo, bom, conheço o princípio, o ponto de partida, conheço o fim, conheço a meta. Mas depois tenho de descobrir, através dos meus muito limitados meios, o que acontece entre o princípio e o fim. E depois há outros problemas a resolver, por exemplo, se convém que o facto seja contado na primeira pessoa ou na terceira. Depois, é preciso procurar a época; agora, quanto a mim – isso é uma solução pessoal minha –, acho que o mais cómodo acaba por ser a última década do século dezanove. Escolho – se se tratar de um conto de um porto –, escolho locais do litoral, por exemplo, de Palermo, ou de Barracas, ou de Turdera. E a data, digamos que mil oitocentos e noventa e nove, o ano do meu nascimento, por exemplo. Porque, quem pode saber exactamente como falava aquela já morta da beira-mar? Ninguém. Isto é, que eu possa actuar com comodidade. Em compensação, se um escritor escolhe um tema contemporâneo, então já o leitor se converte num inspector e decide: “Não, neste bairro não se fala assim, as pessoas desta classe não usariam esta ou aquela expressão.”O escritor prevê tudo isto e sente-se travado. Em compensação, escolho uma época um pouco distante, um lugar um pouco distante; isso dá-me liberdade e já posso… fantasiar… ou falsificar, até. Posso mentir sem que ninguém se aperceba, pois é preciso que o escritor que escreve uma fábula – por mais fantástica que seja – acredite, naquele momento, na realidade da fábula.»

sábado, 16 de agosto de 2008

História Universal da Infâmia


Porque não tenho palavras para descrever esta prosa tão intensa de Jorge Luís Borges atiro para aqui pequenos excertos para verem como é bom ler esta "História Universal da Infâmia".


"A partir de 1899 Eastman não era só famoso. Era chefe eleitoral de uma zona importante, e cobrava fortes subsídios das casas de lampeão vermelho, das casas de jogo, das prostitutas das ruas e dos ladrões deste sórdido feudo. As associações consultavam-no para organizar mal-feitorias e os particulares também. Eis os seus honorários: 15 dólares por uma orelha arrancada, 19 por uma perna partida, 25 por uma bala numa perna, 25 por uma punhalada, 100 pelo negócio completo. Às vezes, para não perder o costume, Eastman executava pessoalmente uma encomenda." Pág. 49/50

" Em 25 de Dezembro de 1920 o corpo de Monk Eastman amanheceu numa das suas centrais de Nova Iorque. Recebera cinco balas. Desconhecedor feliz da morte, um gato ordinário rondava-o com certa perplexidade." Pág. 54

"Este é o final da história dos quarenta e sete homens leais - mas que não tem final, porque os outros homens, que não somos leais talvez, mas que nunca perderemos de todo a esperança de o ser, continuamos a honrá-los com palavras." Pág. 70

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Os Bons Leitores


Transcrevo aqui um pequeno texto do prólogo da primeira edição da “História Universal da Infâmia” de Jorge Luís Borges porque glorifica a nossa condição de leitores, de bons leitores:
“Quanto aos exemplos de magia que fecham o volume, não tenho outro direito sobre eles que os de tradutor e leitor. Por vezes creio que bons leitores são cisnes mais tenebrosos e singulares que os bons autores. (…) Ler, para já, é uma actividade posterior à de escrever: mais resignada, mais cortês, mais intelectual.”