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terça-feira, 5 de agosto de 2008

"Os efeitos da leitura"



Já que falamos de livros e de leituras, gostaria de lembrar os tempos (prefiro pensar que isto já não acontece!) em que ler era ociosidade e os efeitos de "muita leitura" poderiam ser desastrosos, pelo que todo o cuidado era pouco, face aos livros !

Voltando ao livro de José Morais "A arte de ler" (digo voltando porque diversas vezes o tenho referido) cito uma passagem que, por sua vez, é também uma citação, de "Dom Quixote" - Cervantes.

"É preciso saber que o referido fidalgo, durante seus momentos de ócio (que eram a maior parte do ano), punha-se a ler livros de cavalaria com tanto entusiasmo e gosto, que quase esqueceu completamente o exercício da caça e a administração de seus bens... Em suma, enfrascou-se tanto em sua leitura que passava as noites de claro a claro e os dias de escuro a escuro, e assim, do pouco dormir e do muito ler, secou-se-lhe o cérebro, de maneira que veio a perder o juízo".

domingo, 20 de julho de 2008

"A arte de ler"




Com este desafio para participar nos 7 leitores, descubro que sou mais “leitora” do que “escritora”.




Tenho pensado sobre o que escrever, sobre que livro, poema, sensação... sobre a leitura, o prazer de ler, foi até onde cheguei por um livro que já li há algum tempo, "A arte de ler" de José Morais.

Livros, textos, são vida e como diz António José Bolívar Proaño (“O velho que lia romances de amor” de Luís Sepúlveda) “[…] quando uma mensagem lhe agradava particularmente, ele a repetia tantas vezes quanto julgava necessário para descobrir que a linguagem humana podia ser bela”.

As leituras cruzam-se, enleiam-se e não há um único livro, um único autor, ficam as ideias, os sentimentos e do que li, do que leio me (trans)formo.

Cito José Morais que escreve sobre a leitura, como sendo, antes de mais, um prazer pessoal.

“Não lemos todos um texto da mesma maneira. Há leituras respeitosas, analíticas, leituras para ouvir as palavras e as frases, leituras para reescrever, imaginar, sonhar, leituras narcisistas em que se procura a si mesmo, leituras mágicas em que seres e sentimentos inesperados se materializam e saltam diante de nossos olhos espantados. Há leituras nas “quais um sentimento de que o texto parece completamente novo, jamais visto anteriormente, é seguido, quase imediatamente, do sentimento de que ele estava sempre ali [grifado no texto], que nós, os leitores, sabíamos que ele estava sempre ali e sempre o conhecíamos como ele era, embora o reconheçamos agora pela primeira vez…” (A. S. Byatt, Possession).
[…] Não lemos todos os mesmos livros, não temos todos os mesmos desejos. A liberdade, inclusive a liberdade arrancada, conquistada de frente ou sub-repticiamente é indispensável para a experiência apaixonante da leitura.”