Quando o editor Franco Maria Ricci passou alguns dias em Buenos Aires, na companhia de Jorge Luis Borges, sentiu-se motivado a propor-lhe a aventura de dirigir uma colecção de obras fantásticas que veio a denominar-se “A Biblioteca de Babel”. Jorge Luis Borges foi o responsável pela selecção dos contos e abre cada volume com uma introdução à obra e vida do autor seleccionado, bem como com uma apresentação dos contos. A Editorial Presença tem vindo a publicar os volumes desta colecção para meu (e de muitos) deleite. Uma palavra de apreço também para as capas de origem lindíssimas. Já foram publicados 9 volumes dos trinta originais que contemplam autores desconhecidos, esquecidos ou célebres. Para mim, até agora o melhor volume é a recolha de contos de Giovanni Papini, “O Espelho que Foge”. O último volume saído é de Kipling, denominando-se “A Casa dos Desejos”. De entre os contos seleccionados destaco “O Jardineiro”a história do percurso de um jovem órfão criado por uma tia até à sua morte nas trincheiras. A tia vai finalmente visitar a campa num cemitério com 20000 valas. Uma das peculiaridades deste conto é o facto de aí ocorrer um milagre. A tia ignora-o, mas o leitor sabe-o. O segundo conto que destaco é ”A Casa dos Desejos” em que uma senhora narra a outra uma história mágica e dolorosa em que existe uma misteriosa casa dos desejos em que se pode pedir que a casa leve embora uma coisa que atormenta outra pessoa. Os restantes contos, ancorados em batalhas e guerras, não me encantaram tanto.
Apesar de a selecção nem sempre ser homogénea em termos de qualidade (mas quem sou eu para pôr em causa o Borges), esta é sem dúvida uma colecção preciosa.