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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

UMA CASA CALOROSA



Regresso à escrita de Sepúlveda como a uma casa calorosa e simples, onde o pão e o vinho nos esperam em mesa de boa madeira, onde o chão e as paredes são de boa pedra antiga e um sol fraterno entra pelas janelas.

Sepúlveda sabe narrar um pequeno acontecimento com doçura, elegância e eficácia, e transformá-lo numa história que nos acrescenta sorriso ou emoção e nos torna melhores seres humanos no final.

Sabe ainda revestir as suas histórias de valores honrados e decentes (palavras que usa com frequência) quando nos conta momentos dramáticos, duros, muito difíceis de uma vida de revolta contra todas as tiranias.

São histórias vividas por aqui e por ali, com amigos e companheiros que relembra generosa e comovidamente.

É absolutamente notável a forma como, por exemplo, nos relata a génese desse romance maravilhoso e imprescindível que é "O VELHO QUE LIA ROMANCES DE AMOR", um dos livros que mais leitores deve ter feito nos últimos anos.

Literatos há que defendem uma literatura "pura". isto é, uma literatura que deixe à margem de si a "impureza" literária que é o próprio autor e a sua vida.

Dizia Joprge Semprún que só renegam o valor literário da vida do autor, aqueles que não têm vida que valha uma linha.

Luís Sepúlveda tem uma vida que vale muitas linhas e sabe contá-la com a grandeza da simplicidade.