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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

FIRMIN



Saiu em português editado pela Planeta.

Já aqui tinha dado nota do prazer que me dera lê-lo em castelhano. A Planeta tomou conhecimento desse comentário e teve a gentileza de me enviar o livro em português. Chapeau! Gracias. Muito obrigado. Pela edição e pela oferta.

Começa assim:

"Sempre imaginei que a história da minha vida, se e quando a escrevesse, teria uma primeira frase grandiosa; uma coisa grandiosa como "Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade", de Nabokov; ou, caso eu não tivesse queda para o lírico, entâo uma coisa epopeica como "Todas as famílias felizes são iguais, mas as famílias infelizes são cada uma à sua maneira", de Tolstoi. São palavras que as pessoas não esquecem, mesmo que já não se lembrem do resto dos livros. No que diz respeito a primeiras frases, porém, a melhor, na minha opinião, é sem dúvida a que inicia "O Bom selvagem" de Ford Madox Ford: "Esta é a história mais triste que alguma vez ouvi." Já a li dezenas de vezes e continua a deixar-me de rastos. Ford Madox Ford era dos grandes."

É notável a história da vida e morte deste rato contada pelo próprio. No fundo é a história de cada um de nós mesmo que nem todos tenhamos para contar a história mais triste que alguma vez tenhamos ouvido.

A não perder. Um prazer raro e requintado.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

"FIRMIN" de SAM SAVAGE



“… encontrei conforto na ideia ridícula de que tinha um Destino . E comecei a viajar no espaço e no tempo, através dos livros, para o procurar.”


Firmin é o 13º filho de uma ratazana alcoólica que só tinha 12 tetas. Nasceu, tal como os irmãos no sótão de um alfarrabista. Como era o mais fraco entre todos os irmãos nunca chegava às tetas da mãe. Assim se safou do alcoolismo e, para sobreviver, começou a comer livros, tornando-se num rato culto.

Este é um ponto de partida notável. Mas há melhor.

Firmin tanto lê e vê filmes num cinema miserável de sessões contínuas, que sofre graves crises de identidade. Sonha ser Fred Astaire e hesita entre o traseiro da ratazana, sua irmã, e as “Beldades” que enchem os filmes pornográficos que vê depois da meia-noite e em que inventa uma Ginger Rodgers apaixonada por si, numa mistura delirante com referências ao “Amante de Lady Chaterly”

Firmin é um ser enternecedor na incapacidade de odiar, na vontade de amar, na vontade de entender as regras do mundo e o comportamento dos homens, ou seja, dos outros.

O romance relata a sua via num mundo que está em acelerada mutação. Podia ser a história de qualquer um de nós, com os seus sonhos, o seu desejo de amar e ser amado, a sua paixão pelos livros que o leva, inclusivamente a imaginar-se um extra-terrestre. E para acabar, qual de nós, obsessivos leitores, é que não se sentiu já um extra-terrestre nesta sociedade tão afastada das maravilhas e da excelência da grande ficção.

(O livro é a primeira obra de ficção de um professor americano universitário de Filosofia. Não existe edição em português. Há em espanhol e está à venda no El Corte Inglês)

“Ajuda muito, nas noites de solidão, poder olhar as estrelas e não ver nelas apenas umas meras escamas do céu ardente no grande Vazio, mas janelas iluminadas da nossa própria casa.”