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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A paralizacao da creatividade

Escrevo desde Bruxelas, onde tenho estado nos ultimos dias. Peco desculpa pela falta de acentuacao, mas e um teclado frances aquele que estou a utilizar. Sempre que venho a Bruxelas faco uma peregrinacao por tres livrarias muito boas: Filigraine, Tropismes e a "very brithish", mas muito internacionalizada, Waterstones. Nesta ultima comprei o livro vencedor do Booker Prize e o livro que ganhou este ano o premio Pulitzer: o livro do escritor dominicano Junot Diaz "A maravilhosa vida breve de Oscar Wao". No domingo ao ler o El Pais, deparei me com um texto sobre sobre as longas e as vezes definitivas paragens dos escritores apos um exito. Descobri que Junot Diaz deixou passar onze anos ate voltar a escrever este livro! O seu anterior trabalho, uma antologia de contos, intitulada Drown, datada de 1996, converteu o na promessa literaria do seu pais. Numa entrevista ao El Pais, afirmou que esse periodo foi um verdadeiro inferno: "Nao sei como sobrevivi. Sou terrivelmente duro comigo mesmo, padeco da doenca do perfeccionismo". Sao recordados neste artigo autores que pura e simplesmente deixaram de escrever: o caso paradigmatico e o do J D Salinger que depois do "Catcher in the rye" afastou se da vida publica publicando apenas mais dois livros. Outro caso paradigmatico e o de Rimbaud que aos dezanove anos decidiu que ja tinha dito tudo o que tinha a dizer em poesia e converteu se, entre outras coisas, em traficante de armas. Porque estas renuncias temporarias ou definitivas? Estes casos tem algo em comum: depois de exitos muito grandes, os autores afastaram se da vida publica e da fama deixando de publicar. Noutros casos, a expectativa criada com um primeiro livro pode dar origem a um medo do fracasso. De qualquer forma reconheco paralelismos entre a vida de um escritor e a vida de um cientista (como e o meu caso e assim me defino, antes de professor universitario): e um trabalho solitario que, como se le no El Pais, pode gerar stress parecendo se muitas vezes a uma especie de tortura. Mas nada disto e capaz de quebrar, por si so, a vontade de um escritor, compositor ou cientista: esta e a sua vida e ama se o trabalho. Caros colegas, o que acham que pode estar mais por detras destas ausencias? Falta de ideias e uma razao que me vem a cabeca, mas so tenho experiencia de investigador.

Abraco da fria Bruxelas