segunda-feira, 14 de julho de 2008

"A Rapariga que Inventou um Sonho" de Haruki Murakami


Começo por avisar que sou um viciado crónico por Murakami. Quando aparece um livro deste autor nas livrarias, como qualquer outro viciado, arranjo maneira de adquirir a “minha droga”.
Li tudo o que está traduzido em português, e muita gente me diz que devia ler os clássicos e não perder tempo nestes livrecos de supermercado, que basta ler um para sabermos os outros. Mas eu não me consigo livrar deste “mal”. Talvez o livro de Bayard que o Fanha nos trouxe seja um antídoto para isto.
Este livro de pequenos contos deixa um amargo na boca, parece muito pouco, não recomendo começar por aqui. Recomendo “Kafka à Beira-mar” esse é o livro que nos convida a ler outros livros, que nos faz referências a outras leituras e músicas, que nos dá momentos de prazer impressionantes com parágrafos que ficam na nossa memória. Lembro-me de uma personagem especial que fala com os gatos, mas os outros não o entendem e ele passa por um tolo, é Nakata.
Nestes curtos contos, apenas se confirma tudo o que gosto de Murakami: a solidão das suas personagens - elas vivem sozinhas com os seus gatos e muitas vezes desempregadas num país onde as pessoas passam a vida a trabalhar; a estranheza das histórias, onde os acontecimentos vão-se sucedendo improvisadamente; das ligações que estabelece com os outros, com a cultura, com a literatura e com a música; como constrói as suas narrativas de forma improvisada, como uma música jazz; gosto especialmente da forma que ele negligencia o papel da escola, e em três dos seus livros os adolescentes abandonam a escola - o narrador incita essa atitude.
Além do mais, gosto das ideias que sublinha, identifico-me com elas. Claro que não é filosofia profunda, são romances ligeiros, mas eu sou apenas um professoreco do 2º ciclo.

9 comentários:

JOSÉ FANHA disse...

Caro Tiago,

Não conhecia o Murakami. Ouvia falar mas mantinha uma certa descondiança, talvez tola, que mantenho em relação às modas.
Li "A rapariga..." e fiquei um pouco desconcertado. Não sei se gostei ou não e, no entanto, li-o sofregamente.
Senti que estava numa espécie de aquário voyeuriste, um big brother em que assistia à vida um pouco estranha, um pouco louca, de gente que anda à toa numa vida relativamente liofilizada, relativamente sem sentido. Como a nossa? Não sei, não.
Sei que saí como entrei. Não me emocionei, não me sujei, não suspirei, não transpirei, não me apavorei, não ri à gargalhada durante a leitura.
Não encalhei numa frase que me fizesse parar.
A nossa companheira de blog, Ana Ruas, é uma fã do autor. Acho que tenho de ler outro Murakami para desfazer dúvidas.

Swt disse...

Desta vez não vou seguir o conselho. Antes deste estava o Rafael do Manuel Alegre.que me pareceu bem...no entanto, aprovo o modo como a sugestão é feita. Só que não posso comprar muitos livros, muitos livros, sou só uma professoreca do secundário. eheheheh

Tiago Carvalho disse...

Pois é SWT. A concorrência é voraz. O melhor mesmo, é ler tudo. Se não houver dinheiro, disfarçadamente, passa-se umas tardes nessas livrarias que tem sofás.

Paz disse...

Tem piada, o post do Tiago poderia ter sido escrito por mim, desde a relação toxicómana com a escrita do Murakami, passando pelo percurso aconselhado para entrar no vício - começar com o Kafka à beira mar -, até à opinião sobre os contos d'A Rapariga...
Só houve uma coisa que me deixou perplexa e abismada. Em Portugal Murakami é considerado autor de supermercado?? Não é possível! Tiago, se tiver referências que ilustrem tão inexplicável opinião, mostre-mas. Só para eu saber porquê, o que se passa realmente entre a intelectualidade portuguesa e o admirável contador de histórias que é Haruki Murakami.

Tiago Carvalho disse...

Murakami também se vende nos supermercados, hoje tudo se vende nos supermercados. Eu na verdade acho Murakami um autor com profundidade e não um autor banal.

margarida disse...

Descobri hoje este excelente blog, que irei seguir dada a sua utilidade para quem gosta de ler.
sobre "a rapariga que inventou um sonho", direi que tentei ler,mas é demasiado taciturno com finais tristes e demasiadas peripécias ligadas a doenças. Gostei apenas da forma como nos posiciona em cada cena, indo ao pormenor de descrever cada ambiente, transportando-nos para dentro da história.

Mario disse...

Depois de ler este post, eu vou comprar este livro e vou lê-lo. amanhã eu vou à livraria para comprá-lo e eu vou levá-lo e eu vou ao centro para ir ao veterinário e comprar roupas para cachorro para o meu novo cão. Beijos

Lucas Nunes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas Nunes disse...

Quais os livros em q Murakami incita adolescentes a abandonarem a escola?