quarta-feira, 23 de julho de 2008

“Ela e outras mulheres” de Rubem Fonseca

Rubem Fonseca agarra o leitor até ao fim mesmo em pequenos contos como este. “Ela” é talvez o conto mais pequeno do livro, quase um poema. É uma pequeníssima narrativa que começa com “Na cama não se fala de filosofia” e acaba “Ela disse, te amo, vamos viver juntos. Perguntei, não está tão bom assim? Cada um no seu canto, (…) Ela respondeu que Nietzsche disse que a mesma palavra amor significa coisas diferentes para o homem e para a mulher. Para a mulher, amor exprime renúncia, dádiva. Já o homem quer possuir a mulher, tomá-la, a fim de se enriquecer e reforçar seu poder de existir. Respondi que Nietzsche era um maluco. Mas aquela conversa foi o início do fim. Na cama não se fala de filosofia.”
Mas são muitas as mulheres que o autor fala neste livro, algumas são narradoras da sua própria tragédia, outras intermediárias na narrativa e grande parte delas são o eixo principal da história. O narrador, na primeira pessoa, muda-se de personagem em cada conto, por vezes, até é um “serial killer”, um bom “serial killer”, capaz de ter as atitudes mais nobres.
É ambíguo o papel que este autor dá à mulher, por vezes é aclamada e amada, outras vezes é tratada como um objecto, é agredida, assassinada. Não há uma moral. Talvez o autor queira chegar ao limite, para renunciar a situação. Assim sendo, talvez haja uma moral.
Sexo, violência, amor, paixão e suspense são alguns dos ingredientes deste livro. O autor descreve, sem tabus, cada cena com todos os pormenores quase obscenos (para um leitor, como eu, educado numa cultura laica mas cristã). Mas talvez seja isso que me faça, secretamente, ler este livro. Como uma criança que, às escondidas dos pais, vê as revistas proibidas. Este é um livro para se ler no bom calor do verão.

4 comentários:

doisolhinhos disse...

A dois, não se fala de filosofia em local nenhum, nem dentro, nem fora de casa.
Em grupo, sim..., talvez..., depende..., o melhor é mesmo não estarem juntos.

JOSÉ FANHA disse...

Tenho uma relação complicada com a escrita de Ruben da Fonseca.

Irrita-me a violência, a crueza, a quase ausência daquilo que me parece ser o melhor da humanidade.

"Não tenho nenhema relação erótica com o mal." disse Peter Handke. E eu sobescrevo.

No entanto... Não consigo deixar de ler o que apanhar de Rúben da Fonseca e lê-lo de um só fôlego porque a sua oficina narrativa me agarra pelas orelhas e me conduz que nem um tonto fascinado da primeira à última página.

Contradições de um leitor que nem sempre é capaz de se impôr ao livro...

Anónimo disse...

Oi! Gostei muito do blogue. Gostaria que me mandassem endereço eletrônico, porque ambiciono ser escritor e tenho um livro de contos que desejaria submeter para ter as opiniões de vocês. Também gostaria de consultá-los para saber se na Ficções publicam novos autores e como se faz para participar. Meu nome é Mariel Reis, moro no Brasil, meu e-mail é : marielreis@ig.com.br e meu blogue é: www.cativeiroamoroedomestico.blogspot.com
Aguardo contato.

Zazzle Korpan disse...

Olá;

Tenho uma maneira nada convencional de pensar é verdade e não me enquadro no que é politicamente correto. Não me prostituo ( apesar de sofrer muitas criticas e muitas pessoas acharem que o que eu faço é prostituição ), não mato e não vendo drogas. Então o que há de errado em pensar grande e escolher sempre o melhor? Ter uma mente milionária não é pecado e gostar das coisas boas pode ser considerado apenas bom gosto. Quero ser rica, quero ser grande, quero ter sucesso, para isso preciso aprender e lutar e este blog de uma forma ou de outra está me auxiliando. Meu blog é um pouco diferente dos normais, mas vou provar a todos que chegarei lá. Se quiser visitar e acompanhar http://comoencontrarumbompartido.blogspot.com.br/