ARIANEAriane é um navio.Tem mastros, velas e bandeira à proa,E chegou num dia branco, frio,A este rio Tejo de Lisboa.Carregado de Sonho, fundeouDentro da claridade destas grades...Cisne de todos, que se foi, voltouSó para os olhos de quem tem saudades...Foram duas fragatas ver quem eraUm tal milagre assim: era um navioQue se balança ali à minha esperaEntre as gaivotas que se dão no rio.Mas eu é que não pude ainda por meus passosSair desta prisão em corpo inteiro,E levantar âncora, e cair nos braçosDe Ariane, o veleiro.MIGUEL TORGA Prisão do Aljube - Lisboa, 1 Jan 1940
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ARIANE
Ariane é um navio.
Tem mastros, velas e bandeira à proa,
E chegou num dia branco, frio,
A este rio Tejo de Lisboa.
Carregado de Sonho, fundeou
Dentro da claridade destas grades...
Cisne de todos, que se foi, voltou
Só para os olhos de quem tem saudades...
Foram duas fragatas ver quem era
Um tal milagre assim: era um navio
Que se balança ali à minha espera
Entre as gaivotas que se dão no rio.
Mas eu é que não pude ainda por meus passos
Sair desta prisão em corpo inteiro,
E levantar âncora, e cair nos braços
De Ariane, o veleiro.
MIGUEL TORGA
Prisão do Aljube - Lisboa, 1 Jan 1940
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