domingo, 24 de agosto de 2008

TRÊS ROMANCES HISTÓRICOS

De férias com livros, andei à bolina do blog. Mas atento. Um olho no blog, outro nas leituras. De regresso, começo aqui alguns apontamentos breves. E começo por 3 romances portugueses que se lêem muito, muito bem, o que só por si, é óptimo.



Escrita elegante, sequência dramática muito bem tecida. Simplicidade e eficácia como é normal na escrita de VGM. Um quadro colorido da vida em Lisboa durante a ocupação francesa traçado com imensa finura e saber.

É apaixonante. Mas prometia mais. Embala para uma narrativa a sugerir outro fôlego. E fecha com um truque final como se o autor fosse um deus azedo e mal disposto que resolve pôr um ponto final na história, já farto de brincar com uma figura a que tinha dado dimensão, carne e uma promessa de outros voos.

Em resumo, um daqueles casos relativamente raros de uma narrativa que tinha mangas para muito mais.




O Mário sempre foi um escritor/jornalista que tem de contar uma história e vai direito ao fundamental A sua ternura malandra é sempre deliciosa e incapaz de tratar mal mesmo as piores personagens.

É assim que nos dá o espírito, o cheiro, o tom da época, os anos 50 de um sedutor carregado de uma ingenuidade algo devedora daquela que vem dos filmes portugueses dos anos 30/40 e que faria parte do nosso ambiente lisboeta mais pequenino e provinciano do que cosmopolita e dado aos grandes arroubos de alma. Era um tempo em que ainda se escreviam cartas de amor…



Um ritmo narrativo muito bem conseguido e muito na moda na construção de um puzzle de tempos que se misturam saltando uns por cima dos outros que aqui fazem todo o sentido porque torna ofegante e emaranhada a sequência dos tempos como é pretendido para dar sentido à figura visionária, contraditória, modernista e obsessiva de Duarte Pacheco. Prova de como se pode fazer um belíssimo romance histórico sem pastelices nem moralidades de cordel.

3 comentários:

Vera Vê disse...

Muito bem, aqui ficam os agradecimentos pelas sugestões de leitura. Uma dúvida: quem é o autor do romance "Já Não Se Escrevem Cartas de Amor"? Mário...?

Paulo Ventura disse...

Li dois dos livros quem o José refere com prazer e faço minhas as palavras do José. Quanto ao"Já não se escrevem cartas de amor" afastei-me dele pela capa...Mas vou juntar às minhas leituras futuras.

doisolhinhos disse...

Ups... não li nenhum. Mas quanto ao livro (título) "Já não se escrevem cartas de amor". Nã...! Continuaram a escrever-se nos anos 80 e actualmente, em pleno séc. XXI. Nada de mensagens t.m., nem mails, nem outras coisas que tais.
Cartas, cartas de amor ridículas (escritas em "português")
As dos anos 80, guardam-se "religiosamente"! As actuais são escritas por jovens apaixonados, "que não são deste mundo". Talvez por terem lido algumas daquelas que os pais trocaram nos anos 80. Continuam ridículas..., que bom!